Às vezes me sinto como aquele pato que não voa da lagoa esperando uma senhora que vai passar por onde ele fica, com seu neto ao lado, um saco com restos de pão da noite anterior no braço oposto, e vai rasgar aqueles pães sair jogando ali pra todo tipo de animal vir comer. E eu, pato que sou, vou me alimentar dele, me deleitar nele, me engasgar e me satisfazer e vou achar que ela faz isso por mim, que ela faz isso pra mim, hoje, ontem, amanhã, que ela se desloca, ela traz seu ente mais querido para me visitar, pra cuidar de mim, pra me alimentar, e vou vai ficando ali, na expectativa que no dia seguinte ela vem e pode ficar um pouco mais, quem sabe me fazer um carinho como já fez em algum momento, mas vou ficando e ficando e sempre esperando, enquanto os outros patos seguem seu caminho pelo céu, e a senhora segue com seu neto perguntando o que ele achou dos pombos.
Não é amor se você só recebe o que sobra.
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