Influenza

Eram 4 da tarde. O frio batia na janela junto com o vento, me sussurrando espirros futuros. Chegava ao meu ouvido falando: “Olha nos meus olhos. Olha, deixe que eles se encham de lágrimas. Deixa que essa água desça pela sua garganta e que ela arda, arda como seus dados numa frigideira ligada. Seus olhos vão se fechar, seu corpo vai esquentar, seus músculos vão se contrair até se cansarem sem produzirem nada. Nada. No final, é assim que você vai se sentir, entre cobertas, comprimidos e copos d’água. Nada.

Fechei o escritório. Desci para tomar um café na padaria mais próxima: “Um leite com café e quatro pães de queijo”, pedi. Li a coluna do Juca, algo falando mal de algum dirigente de futebol, comi os pães, bebi o café, e fui embora, enquanto meu corpo se esquentava.


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