Abri uma caixa de chocolate. Escolhi meus três prediletos e suas duplas, e escondi em baixo da cama. Não sei para que eu faço isso, se ando sozinho ultimamente, mas escondi. Escolho outros três e os como. Normalmente eles têm recheio de coco, ou nozes, ou castanha, ou amendoim. Chocolate puro não é comigo. Abro um por um, leio os pacotes, tento descobrir quantas calorias estou ingerindo, mesmo sem me preocupar. E vou mastigando e engolindo, um por um. Não sei se faço isso pelo sabor doce que fica na boca ou pelo preenchimento instantâneo que ele dá ao estômago. Ou, quem sabe, pelo próprio prazer de comer. Afinal, comer sempre é prazeroso. Abro o último bombom, e leio em seu rótulo frases de amor. Lembrei-me agora da sorte que o Orkut me desejou no dia de hoje: “você tem uma grande necessidade e capacidade de realização”. Será que ele é confiável? Será ele um deus on line – ou ao menos um guru? Não não… melhor desconfiar desses seres que eu não posso tocar. E voltar ao meu último bombom, que, antes de eu o degustar, me disse: “o melhor doce ainda encontro somente em seus beijos”. E foi-se mais um. Pego uma garrafa de água e faço descer aquele gosto ainda doce que, diz a lenda, é o melhor substituto para os prazeres sexuais.
doceteria (01/12/2005)
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