Ela acordou mais um dia sozinha. Ela e seu solitário. Um dia fora noiva, em um passado remoto, numa noite de lua alta, grande, sentada ao céu como sol poente. O fim do romance é desconhecido. Mas sobrou o solitário, o único que lhe fazia companhia, como na época de Rubião. Solitária jazia noite e dia, buscando compreender-se.
Fazia o café, servia duas xícaras antes postas. Pão de queijo em ambos os pratos. Comia um. Sentava-se à frente de onde antes estava e comia o outro. Fazia papel duplo numa casa vazia. Fazia-se companhia. Café, banheiro, cigarro. A tríade matinal.
Nunca sabia os horários ou os dias da semana. A casa permanecia constantemente apagada da iluminação natural, que um dia fez reluzir seu solitário. Compras e encomendas eram feitas pela internet ou telefone. E a cegueira ia se iluminando a luz de vela, que ainda espera o retorno de um noivo a quem um dia jurara amor eterno. Por duas semanas. E matou-se.
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