Não dá pra agüentar. Olhar nos olhos, marejar, virar a cara e sair correndo. Esconder-se no banheiro, soluçar. Papel higiênico e colírio. O coração em um ritmo louco, absurdo, frenético. Soluços intercalados a silêncios. E ali, pra mim, só a sua imagem do outro lado da rua, já de mãos dadas com outros.
Há dias, aqueles eram eu. Sem perdição nem nostalgia, meu bem. Não estou aqui para criar crises de ciúme. Afinal, quem deixou de amar fui eu. Quem escolheu outros caminhos, fui eu. Quem quis desejar boa sorte também fui eu. Mas atrasei minha viagem, perdi meus pensamentos, e me escondi da realidade. Ali, atrás do poste, ao lado do ponto de ônibus. Outras roupas, outros mitos. Eu ali, escondido, a observar.
Do outro lado, você passava sorrindo, cantando. Lia a voz em seus lábios. Aquela rouquidão doce que por vezes me falou ao ouvido. Seus saltos ao atravessar a rua, o olhar perdido no horizonte em busca de nada. Alegre, sempre.
Suspirei comigo. E me pus a amar. Afinal, agora se tornara impossível o reencontro. E no impossível é mais fácil se apaixonar.
¹ Violins – Ok Ok
sobrou pra mim / a felicidade sempre ofende / mas tristeza demais cansa / bem, que se fodam os ofendidos! / então respira mais / que eu respiro mais /ok, ok
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