Ela não sorria. Fitava-me da cintura para baixo, e focava-se em minha bolsa. Fixava seu olhar ali, onde meus bottons expunham meus gostos musicais. As vezes atentava-se aos outros envolta, quando passavam sem lhe dar atenção pelo corredor ao lado. E sempre que buscava seus olhos, ela punha-se a brincar com seu piercing entre os lábios, os olhos baixos e os músculos contraídos.
Os cabelos balançavam junto com o chacoalhar do ônibus. Estava encostada na minha frente, tal qual eu me postava nela. Mochila de oncinha, terninho bordô, jeans e sapatilha de pano. Blusa preta. Pele lisa. E nenhum sorriso para declamar seu bom-humor.
Por que é tão difícil assumir a facilidade que é ser feliz? Não precisa sair por aí cantando “… eu sou feliz²”, mas se sorrir é tão barato, será que ser feliz, “com amor(,) é mais caro³”? Vale a pena investir.
¹ Tom Zé – Conto de Fraudas
² Mutantes – Balada do Louco
³ Poléxia – Aos Garotos de Aluguel
(31/03/2006)
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