Pretérito Perfeito

Eu poderia ligar para você hoje, com a voz doce e suave, e agradecer por todas as manhãs que acordamos juntos, por todos os cafés que deixamos escorrer no pires, pelos almoços demorados e corridos que tivemos e pelos jantares pensados ou improvisados que montamos. Poderia falar de cada estouro de rolha dos vinhos abertos, dos espumantes comemorativos, das cervejas com carne de sol e outros petiscos devorados no olho-a-olho. Poderia até mesmo só dizer um “alô” e ficar em silêncio, mudo e estático, esperando entender o que a tua respiração teria a me dizer. Poderia dizer um “olá” ou um “adeus”.

Mas nesse mundo de idéias, prefiro que as coisas fiquem assim, ao natural, tentando elevar tudo ao infinitivo, enquanto lembro de nosso pretérito perfeito.


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