Curitiba é mais feliz no inverno

Era uma época parecida com esta. O frio estava indo embora, mas ainda influenciando as juras de amor que já não mais eram que palavras. Dias e dias sem nada pra fazer, a cabeça movida a álcool noturno, música alta, mulheres de uma noite só. Aquela coisa meio invejosa que se tem quando se está nos 20 acreditando ser o máximo, mas no fundo se sabe que não é nada além que um adolescente velho, com o gosto musical quase formado e sem paciência para as brincadeiras da vida.

O adolescente achou que era hora de crescer. (A)Tirou aquele cachecol preto que tanto lhe agradava, trocando-o por uma jaqueta estilo adidas com mais cara de verão europeu. Os risadas inflamadas foram substituídas por sorrisos concisos. A alegria exteriorizada – e não necessariamente existente – deu lugar a um fundo de felicidade brotando.

Agora, pseudo-adulto, corre atrás de prestações de carro, depósitos em banco, capital para dar entrada em sua primeira casa. Ou apartamento. E no fundo do espelho ainda vê um cachecol ao vento, como se viajasse numa moto imaginária pelas noites curitibanas, entre o largo da ordem e as mercês.


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