2 + 2 = 5*, 6, 7

Pense comigo. Dois e dois é quatro. Quatro e quatro, oito. Oito com oito, dezesseis. Ou seja: 2, 2 ao quadrado, 2 à terceira e 2 à quarta. E tudo volta a dois e quatro ou dois à quarta. Para que tanta exatidão?

Desta forma, tentando transformar a vida em algo racionalizado, amor nada mais é que uma paixão satisfeita. E a paixão satisfeita, plenamente, é um saco. Como? Por quê? O que?

Ora, apaixonar-se é tornar-se louco. Traduzir em infames pensamentos fatos ordinários. Qual seria a graça do sorriso da Madonna de da Vince para aquele que não o vê com os olhos da paixão? Passa por marotisse, até singela. Mas nada desperta. Nada forte, nada único. Nada ao menos sujo, pensamentos muitas vezes detestáveis. Mas que existem por força da paixão, do desejo.

Agora pense no sorriso daquela por quem se está apaixonado…

A exatidão matemática à qual nos impomos diariamente apenas subordina nossa vida a operações aritméticas. $ + $ = “felicidade”. [(11 X Trabalho) + dinheiro] – filhos = férias. Férias = banco – (dinheiro ao quadrado). E assim segue. Essa é a nossa seqüência diária. Funções, equações, progressões geométricas e aritméticas que interferem em razão diretamente proporcional em nossa realidade social.

Por isso, diariamente busco fugazes fugas para viver em minha assimetria. Entender a ordenada contabilidade do mundo, desenhar alguns números e morrer noite a noite, feliz, mesmo quando minhas contas me mostram o contrário. Afinal, “I’ll stay home forever, where two & two always makes up five”*.

* Radiohead – 2+2=5


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