Todo mundo é meio meio.

Todo mundo é meio fotógrafo e meio escritor. Meio triste e meio inteligente. Todo mundo é quase famoso ou meio conhecido. Todo mundo coleciona amigos. Todo mundo divide informações, sem saber se são de verdade. E todos guardam suas verdades pra si. Todo mundo divide felicidade ou tristeza no twitter.E todo mundo tem um momento de auto ajuda – mas sempre escondido. Todo mundo é meio leitor, meio que conhece Clarisse e Lispector, meio que lê textos do Quintana, meio que gostam de Dostoievski. Todos acham que são fãs do Caio Fernando Abreu, que leram todas as obras de John Fante e Bukowski. Todo mundo gosta de uma banda da Escócia, da Islândia ou da Austrália. Todo mundo curte uma banda desconhecida do Brasil. Todo mundo gosta de filmes cult e nega rir com comédias bestas, chorar com o romantismo piegas no cinema, curtir filmes com o Selton Mello. Todo mundo curte. Curte sem saber, sem ler ou entender, sem ver. Todo mundo curte. Curte ser cool. Curte ser meio besta, afinal. Todo mundo quer ser meio diferente, e acaba sendo meio igual.


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