Passava da meia noite quando me veio a vontade de escrever uma carta. Colocar a mão sobre o papel e, letra a letra, preencher aquelas linhas de um caderno guardado num canto qualquer da casa. Não queria saber da tela do computador brilhando e me trazendo mais sono. Não queria tirar do armário a máquina de escrever antiga que meu pai deixava em casa para poder trabalhar nela enquanto não podia se deslocar até a vara onde até hoje trabalha. Era uma caneta, uma folha, e uma vontade.
Comecei a olhar para aquelas linhas e as palavras me surgiam na cabeça, mas nenhuma delas supria aquela minha vontade. Apoiando a mão na folha, desenhava palavras no ar, com a ponta da caneta levemente levantada para não escrever o que eu não queria. Precisava de uma certeza para colocar ali.
Percebi que, na verdade, eu sabia o que eu queria. Não era o “escrever uma carta”, mas descrever uma vontade. E assim foi.

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