Você se esconde atrás de uma insônia forçada, fugindo dos sonhos para ter um sono de pedra. Prefere a dor de cabeça matinal e forçar o cérebro ao extremo enquanto o corpo padece de cansaço ao invés de se deixar iludir com os sorrisos que a vida de tá.
Rapaz, olhe em frente. Uma história contada nada mais é que uma história contada. Começo e meio e fim e foi. E por mais que as histórias sejam iguais, elas podem ser contadas de formas diferentes. Novos personagens. Novos pontos de vistas. Ainda que sejam as mesmas histórias.
Uma nova história, por sua vez, pode ser sempre uma novidade. Pense em cada “e se” que ficou na cabeça após o cinema acender a luz, ou ao chegar ao final de um livro, de um conto. Se um não vira um sim, se um pensamento vira um fato, se uma vontade se transforma numa verdade. Então tudo vai ser diferente, e até uma mesma história pode ter um novo significado.
É hora de olhar em frente. Pisar fundo sem se fixa no retrovisor. Pra trás você só vai ver a poeira subindo, enquanto na frente a reta segue infinita para o horizonte, com bifurcações a cada 100 quilômetros se quiser buscar uma nova direção segura, ou um deserto se quiser improvisar um caminho só seu, e não percorrer em uma direção já editada para você. Pra frente. Pra trás é poeira, além de toda a dificuldade que o retorno te impõe, uma verdade já criada. Pra frente.
Correr pra frente e deixar de lado as dores de cabeça, as insônias forçadas para fugir dos sonhos, o cansaço e os pensamentos a mil na madrugada. Uma hora a vida vai sorrir na estrada, aquele sorriso bonito, de lábios carnudos e bem desenhados, aconchegantes, onde você vai querer deitar os teus e reescrever alguma história que você vai achar depois que foi igual a alguma outra, ainda que a viva de uma forma completamente diferente.

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