Eles estavam na cabine de DJ, ela sairia e ele continuaria a festa. Primeiro reencontro após o fim de um namoro rápido e intenso que tiveram. Mal se olharam na troca, com aquele misto de vergonha e descrédito, aquela situação delicada que só os fins de uma relação sabem criar.
Ele abriu seus cases sobre a bancada, faria um set moderninho e outro retro, uma hora de pista somente com vinis, em sua maioria importados, já que fora do Brasil o preço continua acessível pra quem gosta de ouvir os ruídos que só um sistema analógico sabe criar. Colocou o primeiro LP no toca discos, e já foi preparando o segundo, onde achou um bilhetinho:
“Podemos ser como um disco de vinil, você um lado e eu o outro, cantando um para o outro nossas composições atuais, mas no final, sempre nos colocaríamos de costas um para o outro, com medo de nos encarar. Me deixa ser seu lado B.”
Ele sorriu para ela na pista. Ela deu de costas, com uma piscadela, e ele se moveu para buscar uma forma de passar de You’re Just a Baby para (It’s Not War) Just The End of Love.

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