Você acorda com frio no estômago. Levanta, prepara uma xícara de chá, limpa o suor frio que escorre pela sua cara, toma o primeiro gole, queima a língua, solta alguns xingamentos a uma pessoa imaginária cuja mãe não tem uma postura recatada, tenta o segundo gole, questiona a opção sexual desse amigo imaginário, toma um gole de água, sente o cheiro do barril de carvalho onde a cachaça dorme e se perfuma para um futuro próximo, vira de lado e se volta pra caneca de porcelana chinesa com desenhos de personagens japoneses. Tenta pela terceira vez inundar a goela com aquela água suja numa mistura de laranja, manga e canela que a Twinings chama de Blended Tea para soar fino, pomposo, que alguém lhe deu indicando para tomar em momentos de calma.
Calma aos diabos. É exatamente o que você procura às 3 da manhã, quando o sono fica indo e vindo, e os pensamentos te perseguem, e a vontade é de dar um berro, um tiro, ligar a distorção da guitarra ao máximo ou somente pegar o telefone, colocar no modo não identificável e ligar praquela garota de olhar receoso, de sorriso malicioso e lábios recém retocados com batom rosa, algum MAC Snob da vida provavelmente.
Quarto gole, o sono se apresenta. Dou uma ultima olhada em volta, um silêncio virtual que se projeta e apaga a última metade que ainda sorria em minha memória. Sigo à cama e seguem-se os sonhos.

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