Será Amor?

Não costumo escrever exatamente o que penso sobre determinadas coisas, mas um texto de @tuliopb em seu blog (“Não Fodam o Amor”), e os comentários sucessivos que tenho recebido de amigos sobre relações e vidas a dois me fizeram pensar de maneira clara e objetiva sobre esse sentimento tão…. desconhecido.

Digo desconhecido por nunca conseguirmos diferenciá-lo. O confundimos com paixão, com carinho, com ternura, e até com rotina. Afinal, quantos de nós não nos enamoramos pelo dia-a-dia com uma pessoa, as discussões sobre o cotidiano, as amenidades de um café ao cair do sol?

O amor, esse que @tuliopb não quer que fodam, existiria? Seria uma mistura de sentimentos, como amizade, paixão, carinho e rotina?

Nos últimos meses tenho observado em mim uma distinção ambígua e, até mesmo, narcisa. Em verdade, quando visualizo as últimas aparições de sentimentos próximos a ‘amor’ em mim, lembro de momentos de felicidade, de situações e pessoas que me aconchegaram e me tornaram uma pessoa melhor. Revivo na memória fatos que não esquecerei, por terem me feito bem. E, ao rever em minha retina tais curtas, penso: será que amo cada um desses personagens?

Existe saudade desse período, dessa felicidade incontida. E, se contraposta ao momento atual que vivo, não posso mentir e dizer que não era melhor. Era. Mas isso, em si, é amor? Ou é apenas uma sobreposição de valores, onde me apóio em um passado recente em feliz contra uma atualidade nem tanto interessante?

Tenho pra mim que o amor, assim, na saudade, brilha muito. Mas só porque já passou. Enquanto presente, nem sempre demos o valor devido, e depois saímos o magoando – ou magoados.

Enfim, postulo a favor da não fodessão do amor pregada pelo @tuliopb, mas sempre questionando: amo quem me faz feliz, ou amo ser feliz?


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