Minutos de Descanso

A intensidade do cotidiano está me incomodando. Dia-a-dia eu troco minha cadeira, para que não chegue o momento em que os formatos de minhas nádegas fiquem visíveis nas almofadas que lhes protegem. A rotina, os ‘eu já vi’ de todo o dia me perturbam tanto quanto me intrigam. A possibilidade de repetição que não permite erro. A possibilidade de esporro que sopra a cada possibilidade de deslize.

Esse é o meu dia. Uma unidade. Igual, formal e natural. Os ternos repetidos pela manhã, enquanto penso qual gravata ainda não usei com qual camisa. Paradigmas que necessitam ser quebrados enquanto utilizo-me da mesma caneca ‘Io Soy Bacana’ de todos os dias. Isso sem ao menos pensar na história que há em cada objeto que utilizo.

Esse cotidiano envolto de enganos. Como o que me acometeu dia desses, ao inverter o que deveria fazer e dar com os burros n¿água. Uma questão de tempo de tudo vir à tona e eu entrar por água à baixo. É esperar, pois a hora vai chegar.

Mas, como até um cantor de pagode já disse: ‘Dia-a-dia, pouco-a-pouco. Já estou ficando louco’. E ao menos tal loucura possibilita que um dia seja diferente do outro. Pois tudo sempre acaba por ser igual. Um ciclo, uma rotina, uma vida. Ao menos em minha loucura e diferenças eu tento mudar e ousar. Mas até isso é repetitivo.


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