Descendo, descendo e descendo… aquele passo morto, leso, cambaleante. Cena ridícula ele nos proporcionara mais uma vez. Bebe usualmente até cair, misturando cerveja, gim e cachaça como se tomasse sucos de polpa. Junta tudo, levanta o copo e joga-se em seu mundo. Aquela coisa girando, girando, girando…
Ali dentro tudo passa a ser realidade. Seus modos, acha bonitos; seu desconcertamento, alegre. Suas palavras, amáveis; e suas investidas, vencedoras. Por fim, fora de seu mundo, acaba por ganhar alguns tapas, raramente um roxo espalhado pelo corpo, mas, principalmente, pouca admiração por parte daqueles que ali se fazem de amigos.
Sexta-feira, 22:00. Toca o telefone e lá corre o Leso atender:
– O leso! Vamos sair?
– Claro, claro!
– Po, estamos no Clarim. Passa pegar a gente e vamos sair por aí.
– To saindo. Chego logo
– Tá, não demora, animal!
E lá saí ele, descendo, descendo e descendo. Era normal as pessoas o convidarem para sair. Tinha carro e tinha grana. E não se importava em dividir com os outros. Era um meio que ele usava para se dizer amigo – praticamente uma compra de votos. Saía, pegava os amigos até na casa do capeta, e rodava toda a cidade e seus bares, festas e postos de gasolina a R$2,49(9). Ele e seu bendito possante de alto valor, e tão beberrão quanto ele. Fim de noite e aquela festa: o Leso largado ao lado, rodando em torno de uma mesa, mais uma vez sem ninguém, e o povaréu que o acompanhava fazendo fila pra pagar todas as consumações com seu cartão – aquela gargalhada geral a cada senha digitada. E no fim da noite, pegavam o cara, largavam em casa junto com o carro, tiravam uma grana da carteira e se mandavam de táxi pra casa. Sempre assim. Sempre assim.
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