Por volta dos 17, 18, 19 anos. Todos nós estávamos na mesma: bermudas ou jeans, camisetas, futebol, festa. Chegávamos em bando, líamos em voz alta, ríamos em mais alto tom. Nos desfazíamos ali, juntos, todos.
Cumprimentos amplos. De apertos de mão a abraços e efusivos. Tantos estranhavam aquilo. Um bando, falavam. Desordeiros, preguiçosos. Quatro lances de escada e nos reencontrávamos próximos a esquina. Copos plásticos e quebradiços, pastéis nunca comidos, moscas e jornais coreanos que escondiam revistas do mais baixo nível. Os primeiros copos, as primeiras garrafas, alguns engradados. E lá estávamos todos abraçados, cantarolando alto coisas que nem sabíamos cantar.
Do básico futebol e festas, passamos a discutir literatos, a formatar textos e trocá-los. A entender melhor os gostos musicais uns dos outros e a influenciarmo-nos mutuamente. Bossa pra cá, Brit pra lá, seguíamos elogiando de Noel a Baden.
Agora, pouco mais de 6 anos após os primeiros assovios, estamos rindo sozinhos, cada um em sua casa, com sua própria companhia. Estamos mais velhos, uns mais pesados, outros na mesma. Mas mais próprios. Mais presentes na vida oficial. Mais e menos humanos. Assim que quer? Assim será – eu vou pra não voltar*.
* Los Hermanos – Assim Será
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