Despido de qualquer amor próprio e fugindo de todos os fantasmas que assolam, corre pelo trânsito, cruzando entre os ônibus amarelos a esquina oposta à pastelaria que um dia lhe serviu de abrigo de chuvas de lágrimas.
Um pastel de queijo e uma laranjinha, por favor. E pode ser um dois amores de sobremesa. Mas não é pra comer não. Esse é pra viagem. Quero ver até onde eu vou conseguir mantê-lo intacto, sem uma mordida que lhe tire um dos seus sabores.
Lá está com os olhos secos, um pouco vermelho, talvez, e a camisa molhada. Oi, tudo bem? E tudo passou desse papel, enfim.
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