Eu acordei sem dormir. Creio realmente que isso seja possível. Que consiga encostar a cabeça no travesseiro e ver o sol raiar logo em seguida, sem sonhos nem descanso. O corpo continua no mesmo estado que estava quando você parou de olhar as estrelas.
Mas o sol teimou em não sair. Tentou iluminar o dia por trás das nuvens. O frio ainda imperava. Sem degelos matinais, sem fugas animais em caravanas. Era eu, um travesseiro, uma coberta, uma luz desligada e a janela entreaberta, por onde o vento entrava e me fazia enterrar todo o corpo para me esquentar. E ainda cansado.
Ficava o cansaço da falta de sono espalhado pelo corpo. Acrescido da preguiça natural da segunda-feira. É o outono em Curitiba, com aqueles dias esquisitos, de mudanças obtusas. Apesar de tudo, levantei da cama e me olhei no espelho. Apenas o sorriso feliz daquela tarde de domingo permanecia na cara. Um dia estranho, como tantos outros do outono curitibano. E, apesar da falta de descanso, eu era uma pessoa renovada.
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