Aqui estou eu, curando uma ressaca imensa que dois anos de abusos me impuseram. Cicatrizando loucuras que, por vezes, não sei se estavam erradas. Calçando minhas vias para saber até onde eu posso chegar. Mas por vezes ainda sem rumo.
Mesmo assim, ainda dependente de tanto, ainda com a loucura por vezes imperando, ainda com o raciocínio crítico maior que a estética sentimental, ‘mesmo assim ainda’ você está aqui. Presente e ausente. Dizendo seus sonhos, suas vontades, seus desejos. Falando dos seus filhos e dos seus sustos. Falando de suas viagens e sugerindo. Desamarrando meus tênis como se eu não pudesse fazê-lo com você.
Ainda vivo entre a literatura realista e a comédia fonética de invenções e inversões. Mas hoje eu estou melhorando da minha ressaca, com a minha ajuda. E a sua. Ainda sou louco, e nem sempre correto. Raramente, eu diria. Mas meu tempo está acabando. E o seu, começando. Vamos viver o nosso.
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