O cansaço me faz render. Ou me render. Ainda não consigo definir a distância entre a produção intensa e o êxtase a um palmo da mão. E é sempre nessa hora que me levantam o céu e aumentam os degraus da minha subida.
Porém é assim, cansado, que a mente entra num estado próprio, exclusivo, quando o que se pensa representa não o que se imagina, mas o que se quer realmente.
E, cansado, mudei. Pela primeira vez, mudei. Bendito seja aquele que fez com que o cérebro deixasse seu arbítrio usual nesses momentos. Deixa-se de seguir o caminho comum, fácil, e encontrasse a estrada que leva a Spectro. Deixei de lado minhas predileções, minhas conclusões precipitadas. Deixei passar o que era nada, mas que poderia desconectar-me de tudo. Mudei por saber, mesmo cansado, com os olhos miúdos e cerrados, o que eu quero.
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