Bye bye tristeza (17/01/06)

Fala que ama, fala. Engana bastante. Fala que sabe viver sem ele. Jura amor eterno, planeja o nome dos filhos. Escolhe logo a cor dos azulejos da cozinha. As cortinas da sala. Os móveis, os estilos de cadeira. Até mesmo o local onde colocaria o sofá para leitura, com apoiador de pé. Faz cotação de puffs, de colchão. Passa no médico e veja a densidade correta do colchão para vocês dois.

Antes da programação do casamento, não esqueça que ele tem de te ensinar a dirigir. Conhecer tios, tias, primos. Até aqueles primos que querem te amar sexualmente, ou aquela prima que quer você com os amigos dela, e não com um moleque da cidade, recém chegado aos vinte e que já bateu o carro. Afinal, os meninos da cidade pequena têm mais dinheiro, mais pais, menos olhares externos, menos medo e mais vivência. Com cabritas, potros e galináceas.

Faz com que ele dance sem saber teus passos. Que ouça alguém falar ao ouvido, comparando o desempenho sexual com a competência na dança. Aí, leve o rapaz pra praia, faz dividir cama e o quarto com você. Ou com seu irmão. Ajudar a cortar a grama no final de semana. Descer e subir a serra. Dirigindo, ou dirigido.

Por fim, ainda tinha de conhecer teus pais. Morrer de vergonha. Chegar no primeiro dia como o melhor amigo por quem se está apaixonada, quando já estavam juntos – quando você ainda escondia de todos que o amava, mesmo sendo que ali, e só ali, esse sentimento fora verdadeiro. De bons amigos a namorados, foi um pulo. Agora, de namorados pra desconhecidos, é algo impossível. Mesmo vocês querendo hoje. Tudo bem, o rapaz é esperto, sabe enganar também. Sabe olhar pra você como apenas mais uma no salão. E também sabe do seu potencial. Se não fosse verdade, você ainda falaria com ele, ao menos. Afinal, por quê temer?


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