café. chantili e morango (09/11/2005)

A menina de olhos pardos fitou-me. Lá estava eu nos meus jeans de sempre, surrados de uso, já sem o elastano que o deixava tão lindo na época de sua compra, encostado no capô do carro falando besteiras com pessoas que eu acabara de conhecer ao sair do bar. Pessoas estranhas, é fato, mas com algumas coisas em comum.

E do outro lado da rua o par de olhos pardos me convocava para o flerte. Jogava-se em minha direção suplicando para que os colhesse. Eu, encabulado, e ainda em tratativas com as pessoas estranhas, demonstrava a minha dúvida em me entregar a ela ou ficar por ali, apreciando a jogatina pré-sexual. Deus é capaz de entender minhas dúvidas, porque nem eu mesmo por vezes entendo. E mesmo assim, lá estava a menina dos olhos pardos. E continuando, e gostando, e tentando.

Quinze minutos nesse jogo e eu pedi licença ao meu estranho grupo de discussão. Já que tantas pessoas me deixaram só durante a noite, um fora a mais não seria nada. E mesmo assim aparentemente eu era a casa, e a roleta estava sobre o meu comando. E joguei a bolinha.

Apresentações feitas, nenhum nome dito, e ainda assim aqueles olhos me atraiam. E eu ainda os olhava com a mesma atenção que fazia quando estava do outro lado da rua. Silêncios longos entre frases curtas. E, enfim, eu tive que fazer valer das normas sociais, tomando a iniciativa de incitá-la à guerra dos sexos.

Ela olhou-me fixamente com seus pardos olhos. E dali eu saí, com menos um nome para a minha pobre listagem. Entrei no meu carro, olhei no espelho e pude entender a causa de chamar de maçã as nossas bochechas.


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