Mais uma noite trocando mensagens no computador. Passava da meia noite, quando me despedi de quem eu não queria. Dou tchau querendo dizer venha. Mando beijos querendo colar-lhe a boca. Mas são desejos. São tolices, que tendem a passar.
Dei um tchau sem sentido, pois durei 5 minutos longe. Retornei. Arregalei meus olhos e sentimentos. Jurei seriedade, sensibilidade. E pedi para que não me levasse a sério. Inventava na minha cabeça perguntas e repostas, conversas. Imaginava toques e beijos. Noites e lençóis. Cores. Sabores. Texturas.
Voltei e pedi colo. Desliguei o PC, liguei minhas pernas e me pus a andar. Sem olhar pra onde, mas com destino. Liguei em seu celular, entrei pela porta dos fundos, olhei em seus negros olhos. Que saudade da menina de olhos pardos, pensei. Mas não me dera opção. Estava ali, em sua frente. Olhando para quem eu acabara de falar tantas verdades. Abracei, cochichei um boa noite em seu ouvido, peguei em sua mão e nos pus noite a fora.
Cliquei no “T” e descemos, com destino a rua. Direita, direita e direita. O único estabelecimento 24 horas da quadra. A última Drogamed que ainda trabalhava 24 horas no Bigorrilho. E nos adentramos. Olhamos, comparamos preços, tamanhos, viscosidades. Sorríamos a cada embalagem lida. Questionávamos como poderíamos usá-las, e onde. E, por fim, pagamos a conta.
Descemos sua rua com dois todinhos e um pacote de passatempo. Eu olhando pra ela e imaginando como seria bom se ela soubesse o que eu realmente quero. Voltei para casa, cantarolando: “There must be a reason for all the looks we gave and all the things we never said before. So what’s the score? Cause there must be a reason for all the looks we gave and all the things we never said before… before…”
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