Solar dos Alvoredos (14/03/2006)

Por que eu te chamo a essa hora da noite, sabendo que não vem me pegar? Malditos sejam os sonhos e suas aparições tridimensionais. Ali você me aparece finamente, friamente; parece com tudo que ainda vou viver, mesmo que ainda não saiba. “Déjà Vu” me diriam em Lion, se a visitasse esta madrugada – ou se Morpheus me buscasse após o trabalho.

O tempo está nublado, mas a lua está ali para jogar conversa fora comigo. Posso falar de girassóis que comprei, mas não entreguei, ou mesmo recorrer aos seus ouvidos para blasfemar meus sonhos. Não a quero como amada, pois não sou alguém que saiba dividir a atenção. Mas tê-la como muda ouvinte muito me acrescenta. E me libera.

Pois sai a lua e só me deixa. E quiçá me deixa feliz. Adentra o sol em meus olhos, forçando a abri-los. E por fim enterra mais alguns sonhos que um dia poderei viver, mesmo que não lembre, ou não atente a minha terceira visão.


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