O corredor que separa a sala do quarto é como o corredor da morte. Cada noite que por ele passa, deixa ali um pouco da dignidade, da hombridade, estendidas no caminho que os interligam.
Ver tantas portas e janelas, e seguir sempre o mesmo rumo, e deitar sempre no mesmo lado da cama, e sempre no mesmo prumo, e sentir a sensação da mesmice impregnada no ambiente. A afetação que isso traz, por mais indescritível que se faça, se representa numa faca que, perdendo o fio, continua dilacerando a carne do seu antebraço. E a cada gomo que você tenta retirar, mais força tem que impor, e quanto mais força, menos fio. E quanto menos fio, mais dor.
E essa dor, creio, se assemelha à sentida a cada passo ao encontro do fim no corredor que se dispõe à frente, todas as noites, onde se deixa um pouco da dignidade, da hombridade, estendidas no caminho. Onde passando, se vê as janelas e as portas e os sonhos que seguem fugindo.
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