Desci a serra esta manhã em busca de paz. A cabeça estava a mil, e corpo praticamente estanque. Nada mais me faria sair do lugar. Nem o passado, nem o presente. Ao pensar no futuro, também nada me vem à cabeça. Em verdade tudo é um grande vazio, que de tão vazio nem mesmo de merda eu posso dizer que a vida está cheia.
Desci pensando nesse nada, e tentando colocar algo dentro dele. Fui em busca de objetivos, em busca de limites. Mas não havia nada. Desci 100 km, parei, pedi um café e um pastel, e agradeci ao Polaco que sempre me trata por Doutor, por mais que minha cara suja, meus tênis e meu jeans não componham esse tipo de personagem. Nada ainda.
Ao meu lado, tinha o som do mar batendo forte nas pedras. Uma visão tão bonita que pouco me prendeu a atenção. Não me atraio pelos belos. Nunca entendi o motivo disso, apenas nunca me atraiu.
Continuei descendo, mais uns 80km e resolvi voltar. Por mais que ao Sul o Brasil seja sempre mais interessante, duvidei que hoje encontraria uma resposta. Parei na divisa entre Paraná e Santa Catarina, comprei queijo, salame e pão. Pedi dois pães de queijo pra viagem, um choco leite, e segui viagem.
Cheguei em Curitiba bem desatento, e ao invés de parar em casa, segui o caminho oposto, sem a menor noção. Me dou conta quando estou em frente ao McDonalds, que eu estava indo por um caminho totalmente sem noção. Por sorte era meio de tarde, não havia aquele trânsito infernal que transborda às 6 da tarde.
Na volta, ao passar ali pela Mário Eppinghauss, vejo uma última imagem do passado. Ela passeava com um cachorro branco, felpudo, desses horríveis que as dondocas adoram. Bem ao contrário do perfil que sempre teve. Ao vê-la, pensei em virar o carro em sua direção, acertá-la por susto. E, para uma última vez, tê-la em meus braços.
Ao som de Polly Scattergood – I Hate The Way
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