Outono

Quando o Outono chega, se apresenta com um sorriso. Chega manso, acalentando aqueles que ele envolve. Abraça com carinho e pouco a pouco vai lhe roubando o calor, e ali, abraçado, seus suspiros vão ficando cada vez mais gelados.

Ainda assim não há como não simpatizar por ele. Traz em seu corpo a beleza e a tristeza em porções ideais, como um texto de Fante, como uma mão calejada, dedos grossos, acariciando os cabelos loiros e encaracolados de uma criança de olhos azuis. E você, vendo tudo isso pelo cinema, não sabe se aquele personagem é amável ou pedófilo. Ainda assim, está ali, em toda a sua beleza e tristeza, roubando flores folhas, apenas para ornar o chão e impor o minimalismo e as cores pastéis à paisagem, matando pouco a pouco o colorido prescrito pela Primavera.

O Outono chega apaixonante, romântico, para, no final, deixar tudo gelado e etéreo. E retornar no próximo ano, com seus sorrisos e seus suspiros gélidos. E sua mão calejada e carinhosa.

Ao som de Allo Darlin’ – Let’s Go Swimming


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