Seria mais simples se a saudade parasse de bater em minha porta por uns dias. Mais fácil de olhar algumas fotos, de ver o por do sol, de encarar um café ao fim da tarde. Um pouco menos de saudade facilitaria para passar o café e tomar junto com o bom dia Brasil, ou para não alternar os lados na cama para que haja um desgaste homogêneo entre a meia direita e a meia esquerda.
Mas dizem aí que, por vezes, menos e mais. E se, nesse prisma, mais for menos, então estou certo em viver as saudades como lembranças de bons momentos, e não na tristeza de querer vivê-las novamente.
Obrigado pela noite, Chico.
Doze Anos
Chico Buarque
– E aí, Morengueira, passou no teste da farinha?
– Ô, rapaz, sentei estava tudo bem…
– (hahaha)
– … tudo certinho. Só tem saída, entrada, neca. Never!
Ai, que saudades que eu tenho
Dos meus doze anos
Que saudade ingrata
Dar banda por aí
Fazendo grandes planos
E chutando lata
Trocando figurinha
Matando passarinho
Colecionando minhoca
Jogando muito botão
Rodopiando pião
Fazendo troca-troca
Ai, que saudades que eu tenho
Duma travessura
Um futebol de rua
Sair pulando muro
Olhando fechadura
E vendo mulher nua
Comendo fruta no pé
Chupando picolé
Pé-de-moleque, paçoca
E disputando troféu
Guerra de pipa no céu
Concurso de pipoca

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