La Vie en Rouge

Just Good Friends (Michel Jackson)

Sorri num primeiro momento um sorriso agradecido, um sorriso de socorro. Um obrigado sem galanteios, sem intenções que não o reconhecimento. Um primeiro olhar que poderia despertar os maiores desejos, mas que se resumiram num primeiro sorriso de gratidão.

Num primeiro momento já me chamou a atenção. Aquele olhar baixo, pudico, mas um sorriso sincero e maroto, sensual. Uma cavidade se formava ao lado de sua boca enquanto sorria, e daqueles tantos músculos que fazem a face representar o que a mente deseja, aquele único e desajeitado, que ao invés de se projetar, se retrai, foi o que me deixou mais aprisionado. Aquele movimento côncavo em sua bochecha me atraía como um redemoinho, uma demonstração perfeita de imperfeição que modelava e representava toda uma personalidade inédita.

Olhamos nos olhos. Aqueles cinco segundos de silêncio onde se espera algo. O ponto exato onde rouba-se um beijo esperado, onde se abraça pelo carinho. O momento em que sorrio dizendo obrigado, e me volto para cuidar dos problemas da vida.

E meu sorriso indicava nossas imperfeições complementares, e resolveu por formar sua concavidade imperfeita entre meus pêlos.


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