Te avistei vindo uma quadra e pouco a minha frente, do lado oposto da rua. Eu andava pela esquerda, no sentido oposto ao trânsito. Vocês descia a Vicente Machado seguindo o fluxo. Não. O fluxo era que te seguia. Meu fluxo sanguíneo.
Atravessei a rua lembrando de seu vestido xadrez, sua sapatilha vermelha, seus cabelos curtos parados na esquina da Brigadeiro Franco com seu sorriso que nunca parava. Ah o seu sorriso que tanto brilhava. Enquanto olhava por seu ombro esquerdo e desnudo os novos lançamentos de celulares na loja da TIM, eu desviava de engravatados, colegas de faculdade que não entendiam porque meus passos estavam apressados.
Quando você me viu ali, parado, aquela cara de saudades e os braços abertos, você me sorriu. Era o que eu esperava. Um sorriso, um abraço, olhares cruzados que entendiam a confidência do nosso silêncio, da nossa vida distinta ao claro e ao escuro. Encarei seus olhos tristes e cansados, sua saia rasgada e a sapatilha descolorindo-se, seu sorriso. Te faltavam dentes.
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| the skin of my yellow country teeth (clap your hands say yeah – 2005) |

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