Polaroid Song¹

Eram passados das 10 da noite, quando o avião preparava-se para descer no Galeão. Depois do atraso injustificado para sair de Curitiba, cheguei tarde o suficiente para cancelar o primeiro evento em solo carioca. Como todos, um evento Culinário.
Atualmente minha vida se resume a restaurantes, cafés e bares. Preferencialmente sem nenhuma veia de requinte. Ou, se houver, é aquele requinte sujo, pobre-chique, aquela clima de deja vu que habita os ambientes que tender a se achar modernos. Não busco mais toda a pompa de um prato bem apresentado, de uma garrafa de vinho européia, de talheres de prata. Hoje prefiro me sentar numa cadeira de palha, de plástico, um copo de cerveja (e essa que pode até entrar na onda gourmet), um prato típico da região e pronto: estou feliz. Ou, se estou no bar, que me venha um caldinho de feijão, que é a maneira com que me idêntico com o ambiente, que me harmonizo, que me faz sentir parte daquele lugar.
Já havia informado o cancelamento da janta daquela noite, o que não me deixava menos apreensivo com a chegada. Olhei pela janela, enquanto sobrevoava o Rio de Janeiro, e pensei comigo: se soubesse desenhar, te fotografaria com minha caneta. Mas ainda prefiro guardar comigo determinadas imagens, e dizer que ao menos a minha memória ainda me pertence.
¹  ‘Feel like dancing on my own / To a record that I do not know / In a place I’ve never seen before'(Allo Darlin’ – The Polaroid Song)

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