No Silêncio da Noite

A pista estava toda cheia. Sensualidade, beleza, elegância. Gritos e vozes repetindo o que saia do auto falante e da cabine do DJ. O som estava num estilo que não gostávamos, mas suportável. Haviam sorrisos e olhares, pensamentos e desejos. Estes menos que aqueles, mas haviam. Havia também descrédito e confusão, pessoas que me estranhavam pela solidão de meus pensamentos.
A pista estava cheia, apesar do vazio que me imperava. Com Lady Gaga todos se soltaram, se sentiram livres para ser quem eram, mas meu silêncio me representava melhor. Não estava no meu dia, não estava no meu ambiente, por mais que eu o quisesse pra mim. As luzes piscavam, as imagens vinham em flashes. Olhava pra quem me interessava e a via por entre momentos de escuridão. E entre a luz e o nada, lembrava de outras pistas e outras músicas, até que a memória superou a realidade.
Saí. Em busca de um mínimo de decência ou dignidade. Não pelo outros, mas por mim. Exclusivamente por mim. Hoje, me represento melhor que há tempos atrás, ano e meio ou dois, quando não era um só, quando as músicas faziam menos sentido. Mas essa vazio entre os flashes e a escuridão, a aceitação desse nada, isso me frustra, me incomoda. Um nada com o qual eu convivo e no qual me encontrei, mas não sei se o vivo como deveria.
Entrei no carro e liguei o rádio em busca de uma música que me representasse. Veio nos falantes Gary Lightbody cantando que “meus ossos doem, minha pele está fria. E eu estou ficando tão cansado e tão velho”.
Passei esse disco, mas a próxima música, do disco de 2001, tendia a piorar: “I’d leave a message – I was out. Out of my mind on drink and drugs”. Mas aquilo não condizia comigo, eu achava.
I will try to fix you

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